Antes de sair de casa fui procurar na internet um recurso que a Vodafone tem de requisitar um pouquinho de crédito antes mesmo que vc faça uma recarga (e pague por ela). Encontrei. É bem simples. E fazendo esse processo descobri tambem como se fazem chamadas a cobrar (na espanha se diz "chamadas de cobro revertido")
Combinei com o Eduardo e a María (filha dele) que eu e a Lári nos encontraríamos com eles na estação de trem de Valldoreix que fica bem fácil pra eles porque é do lado de onde eles moram. Pra chegar até lá pegamos o Tram em frente de casa, trocamos para o metrô e então para o ferrocarril (vulgo: trem), tudo isso a um valor ridículo de 2,70. Quanto me sairia utilizar tudo isso de transportes no Brasil?
Ainda não tinha utilizado o trem de distâncias longas. É ótimo, confortável, climatizado e as paisagens lá fora são verdes e bonitas!! Em 20 minutos percorremos as 12 estações de trem e já estávamos em Valldoreix, que aliás, é uma graça. Tô besta com a eficiência do transporte públlico!
Chegamos alguns minutos antes do combinado e encontramos o Eduardo na hora marcada bem em frente a estação. Ele e a María são muito simpáticos e se esforçaram para entender nosso portunhol e conversarem em castelhano, que eles pouco usam em casa e no dia-a-dia. A viagem de carro durou uns 40 minutos. No caminho paramos para um café e seguimos viagem tendo como vista o LINDÍSSIMO Montserrat. Uma beleza que emerge no meio da paisagem, imponente e árido. Babei metade da viagem e a outra metade fiquei tentando tirar fotos.
Quando chegamos no aeroclube conheci o Pepe Gresa, um piloto de planador muito foda e gente boa pra caramba! Sou fã dele! Conhecemos tambem outros pilotos e alguns outros planadores enquanto esperávamos o vento diminuir para poder decolar. O Eduardo me mostrou seu antigo planador, um DG 800 lindo de morrer com a pintura perfeita e um painel com computador de bordo incrível. Senti uma pontinha de remorso na voz dele enquanto ele contava que vendeu o DG para comprar o Stemme. É claro, um piloto sempre quer ter diferentes aeronaves para satisfazer sua vontade de diferentes formas de voar, ele provavelmente gostaria de poder não precisar escolher entre ter um ou outro, e sim ter os dois.
Decolamos tranquilamente aproando a estação de energia heolica. Assim que pude, fiz ele mudar o rumo. Querer se manter longe das pás dos "moinhos", mesmo estando alto, é mania de principiantes que voam sem motor. O Stemme não usa nadinha de pista pra sair do solo. Acho que corremos uns 200 metros e ele já estava no ar. Aaaaaaah, que sensação boa deixar todo o mundo pra tras!
Exploramos o céu a procura de onda. NADA, infelizmente. O Eduardo disse que já previa isso por causa da época do ano, mas que poderíamos encontrar térmicas e subir no modo que eu sei pilotar: girando. Encontramos algumas fraquinhas e outras bem boas... deixei todas passarem sem que eu conseguisse aproveitá-las bem porque sempre começava a girar depois já ter passado por elas. Os comandos de aileron do Stemme demoram a responder e ele é pesadão. Demorei pra acostumar com seu peso e a alta velocidade em que ele gira por conta justamente do seu peso. Centrar as térmicas não foi fácil. Me senti um pouco melhor quando o Eduardo disse que tudo bem, era normal porque as térmicas estavam muito estreitas mesmo. Tivemos que inclinar pra caramba pra conseguirmos nos manter dentro delas. O foda de inclinar muito é que eu acabava cedendo manche e a velocidade subia muito nos jogando pra fora das térmicas. Oxe, foi um parto pra domar o Stemme. O bichinho não perdoa e é um bufalo pesado!
Várias vezes rodamos térmicas com outro ou outros planadores. Não me sinto segura ainda girando com mais alguém. Aqui, fora da área que estou acostumada e com um motoplandor nas mãos, fiquei mais cagona ainda. Queria dar os comendos nas mãos do Eduardo mas ele me acalmava e dizia que estava fasendo certinho. Ô cagaço! O troço girava a 120 km por hora e eu costumo girar a 90! Se esse é o único jeito de aprender, bom, então vamo lá!!!! Aprendi na marra e suei horrores! Depois de voar por bastante tempo começamos propositadamente perder altura pra ir pousar. Narrigão do Stemme pra baixo e velocímetro a 160/170 km por hora. Numa das voltas encontramos uma térmica, a uns 600 m do solo, e o climb acusava 4 a 4,5 m/s de subida!!!! Não podíamos deixar passar. Giramos nela por muito tempo e chegamos a bem mais de 1000m facilmente. Giramos junto com o DG 800 e passamos acima dele. O Eduardo comentou que o cara estava em um planador com desempenho melhor que o nosso, e que se estávamos acima dele e de outro planador que tambem se aproximava só podia ser porque eles eram muito ruins no comando ou eu que era muito boa... Aaaaaah, moleque! E ele não é muito do tipo "instrutor delicado" não. Ficou sério durante quase todo o vôo mas passados alguns minutos aqui e ali soltava um elogio.
Voltamos embora com a María no carro do Eduardo. Ele ficou lá para fazer mais um vôo com o sócio dele. Agradeci imensamente o dia que ele nos proporcionou! A María é fofíssima e conversa o tempo todo, faaaaala pelos cotovelos igual eu. A Lári até dormiu no banco de tras porque eu e a María não dávamos espaço pra ela falar, hahahahha! E apesar do sono e de não ter voado, a Lári disse ter gostado muito muito de ir. Ficou muito tempo conversando com a María e com o Pepe e fez amizade com os dois.
Aaaaah, que dia incrível!!!!!!!
Voltamos a estação de Valldoreix e agradecemos muito a María por todo seu esforço de nos manter sempre ambientadas. A viagem de volta pareceu um pouco mais longa que a viagem de ida. Eu estava morta, mas fiquei acordada porque a Lári dormiu e alguma das duas tem sempre que estar acordada para nossa segurança.
Chegamos em casa moídas e sem vontade de sair com os nossos amigos, mesmo que apenas para jantar. Acabamos passando o resto do sábado em casa, comendo muito e parecendo zumbis até que finalmente fomos dormir.
Tenho muita dó de deixar passar em branco um sábado a noite aqui em Barcelona. Tinha dó até quando estava em SP, imagina aqui! Mas realmente não rolava de sair. Triste dispensar programas na Espanha, né? Mas somos duas senhorinhas de 79 anos de idade, lembram? Hahahhaha!
Faço agora mesmo uma promessa: transformar a Lári em uma baladeira aos fins de semana como eu e me transformar em uma bitolada durante semana como ela! Seria perfeito, né?!



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